sábado, 28 de setembro de 2013

Iropodo

Os xavantes denominam aquilo que entendemos como "filme" de IROPODO. Difícil encontrar, ao menos por enquanto, uma raiz etimológica dos termos xavante. Mas o que interessa nessa palavra é: eles chamam "animal" de ROPODO.

Segundo um amigo nosso da aldeia abarewede (pé de pequi), na terra indígena de Pimentel Barbosa, as duas palavras não possuem relação alguma. Seria como a palavra em português "manga", que denomina tanto a fruta quanto a parte de uma camisa. Não deixa de intrigar, ainda assim.
Fato implícito e manifesto entre todos, ao menos por enquanto, é que há uma distinção brutal entre o "animal" e a "gente" . Não são a mesma coisa, apesar de todos os animais um dia terem sido pessoas num tempo antigo. A visão da humanidade não é a mesma do animal, e há aqueles que fiquem ofendidos se de repente aparecer a relação entre animais e pessoas. Ouvi de um deles o delicado comentário: "Os fazendeiros chamavam-nos de animais. Não somos bicho".
Nada mais correto que colocar os pontos nos "is". Iropodo, filme, não tem absolutamente nenhuma referência ao olhar dos animais - mais uma vez, ao menos por enquanto.

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