terça-feira, 27 de agosto de 2013
Pássaros
Pra deixar de lado a violência por algum tempo, ouvimos logo de manhã uns pássaros parecidos com periquitos "bradando". Claro que o bem-te-vi está também aqui no centroeste, como em todos os lugares do país, mas ele não predomina. Há papagaios, tucanos, araras, aqueles que raramente aparecem no litoral - todos, inclusive os indígenas, entraram no continente fugindo do mar colonizado à força. E aqui, como é terra de ninguém (ainda), vivem muito bem. Dentre todos se destaca um parecido com o nordestino assum preto... Chamado pássaro preto, por todos. Seu canto é sem pieguice, doce. Não grita, parece falar. Ao lado do mais violento ruralismo vivem esses peixes do ar, livres e sem qualquer tipo de propriedade privada que os restrinja.
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Hoje, dia 26 de agosto de 2013, a cidade de Nova Xavantina, próxima de várias aldeias indígenas xavante, o céu escurece. O blog jornalístico Articulação Xingu Araguaia (Axa) já tocou no assunto: há uma intenção implícita no que aparentemente seria algo comum. Queimadas no Mato Grosso são atos de grandes latifúndios - a plantação da soja que as provocam.
Sim, os indígenas também ateiam fogo no cerrado para caça. O que se fala é o tamanho da área prejudicada - algo pequeno diante de um fogo que toma conta de vários hectares em grandes plantações. Aí não há caça, pelo que se sabe.
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Carajás, ou Karajás, chamam aqueles povos que vivem na Ilha do Bananal de "cara de macacos". Um tipo de xingamento quase lúdico que ficou como o nome de uma provável etnia. Eles não gostam, mas convivem com o fato, pois o universo branco ali é sempre bem-vindo.
Afinal, os Carajás gostam do branco vivo? Claro, assim como dos mortos. Lá em suas aldeias ainda existem ruínas de uma casa de JK, o lugar onde Getúlio chegou, há pasto de gado administrado por brancos, há prostituição adulta e infantil - para as pousadas brancas da cidade de São Félix do Araguaia. R$ 30,00 por cabeça, e os caminhoneiros sabem disso. Há, enfim, a transbananal, que cruza a maior ilha fluvial do mundo, revivendo aquele brasil grande da estrada até hoje incompleta na Amazônia: a transamazônica.
Afinal, os Carajás gostam do branco vivo? Claro, assim como dos mortos. Lá em suas aldeias ainda existem ruínas de uma casa de JK, o lugar onde Getúlio chegou, há pasto de gado administrado por brancos, há prostituição adulta e infantil - para as pousadas brancas da cidade de São Félix do Araguaia. R$ 30,00 por cabeça, e os caminhoneiros sabem disso. Há, enfim, a transbananal, que cruza a maior ilha fluvial do mundo, revivendo aquele brasil grande da estrada até hoje incompleta na Amazônia: a transamazônica.
Para entender o que o nossas práticas brancas fazem com os Carajás é só localizar, por fim, as igrejas evangélicas que aparecem por lá, transformando algumas lideranças em pastores. A busca é pelo que todos procuram como loucos em todo o Novo Mundo: dinheiro.
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Perto de Canarana (MT) fica a aldeia xavante Santa Cruz, liderada pelo cacique Josué Guimarães. Ao longo do arã (ou aran), espécie de ágora Xavante, alguns cães de guarda da noite e outras emas caminham livremente como se também fossem a'uwe (gente de verdade).
As aldeias em sua grande parte já contam com energia elétrica. A Santa Cruz persiste em não adotar a regalia. No entanto, alguns geradores estão lá para não deixá-los completamente distantes da novela das 8.
Se pensarmos que a imagem está lá, aqui, e nas casas de palha seca com uma intenção própria, chegamos em sua mítica mais midiática. Mas se pensarmos que essa imagem, uptabi daruibari (imagem verdadeira), nos transporta para aquilo que a realidade nos convenciona, cortamos o mito.
Entre a visão exótica, exotizada, e a visão "cortada", alude-se um caminhar primitivo como o de um dinossauro dessa ema elegante, que descansa, corre, observa, dialoga com o olhar, nos dizendo: o passado está tão aqui quanto qualquer futuro.
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