segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Parece mesmo uma guerra declarada entre descendentes de portugueses, de alemães e italianos, e os povos originários, tradicionais que vivem aqui no Brasil. Se assim for deixado claro, não seria de se espantar que integrantes de organizações internacionais - de nações ditas mais avançadas economicamente que a "tupiniquim" -, surjam como militantes de uma razão que foge ao interesse da sobreania daqui.

Ótimo então. Aqui temos sulistas colonizando os Estados de Tocantins, Mato Grosso, até a floresta amazônica para descampar tudo e plantar soja (produto há alguns anos descoberto como o único em monocultura que o solo das florestas têm aceitado), e criar gado em pastos. Aqui no Brasil temos o que se chama de bancada ruralista na câmara dos deputados, todos muito patriotas, vociferando pelos corredores de Brasília que são os grandes propulsores da economia nacional. Aqui temos pessoas que ainda pensam no solo brasileiro como um grande terreno de latifúndios, como se a sua utilidade maior fosse a de plantar commodities e descampar, sem pensar nas mudanças climáticas causadas, nem mesmo na riqueza cultural que povos tradicionais preservam e evidenciam para o mundo em sua humanidade diferenciada.

Pois bem, que esteja declarada a guerra, e que ela ponha em evidência a desigualdade de forças entre o Estado brasileiro que financia as plantações (plantations, latifúndios), e o ativismo militante de pessoas interessadas na continuidade de vozes, de rituais, de vestimentas, de pinturas, arte, de compreensões, de idiomas, de ervas, plantas diversas, de raizes, de conversas entre o humano e as outras espécies, enfim. Se estas últimas pessoas forem da Holanda, dos EUA, da França, da Itália, etc., trabalhando em Institutos e ONGs, é porque aqui não há indivíduos que ainda consigam dispender sua atenção e crença a uma realidade que esteja desvinculada do slogan "desenvolvimento nacional". 

Se a guerra está declarada, ela é posta entre colonizadores internos (grandes latifundiários) e uma multidão de povos e pessoas interessadas na existência de um outro tipo de economia - aquela que não monopoliza. Se ela é internacional, estrangeira, que seja. 

O Brasil não tem sabido lidar com estas outras nações internas, que eram donas de seu território antes de sua história ser forjada maldosamente com assassinatos e atitudes mercenárias.

Sônia Guajajara entrega troféu motosserra de ouro para senadora Kátia "Breu".

sábado, 28 de setembro de 2013

Iropodo

Os xavantes denominam aquilo que entendemos como "filme" de IROPODO. Difícil encontrar, ao menos por enquanto, uma raiz etimológica dos termos xavante. Mas o que interessa nessa palavra é: eles chamam "animal" de ROPODO.

Segundo um amigo nosso da aldeia abarewede (pé de pequi), na terra indígena de Pimentel Barbosa, as duas palavras não possuem relação alguma. Seria como a palavra em português "manga", que denomina tanto a fruta quanto a parte de uma camisa. Não deixa de intrigar, ainda assim.
Fato implícito e manifesto entre todos, ao menos por enquanto, é que há uma distinção brutal entre o "animal" e a "gente" . Não são a mesma coisa, apesar de todos os animais um dia terem sido pessoas num tempo antigo. A visão da humanidade não é a mesma do animal, e há aqueles que fiquem ofendidos se de repente aparecer a relação entre animais e pessoas. Ouvi de um deles o delicado comentário: "Os fazendeiros chamavam-nos de animais. Não somos bicho".
Nada mais correto que colocar os pontos nos "is". Iropodo, filme, não tem absolutamente nenhuma referência ao olhar dos animais - mais uma vez, ao menos por enquanto.